ANGLICANISMO
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As raízes do Anglicanismo estão na primitiva Igreja Cristã surgida na Inglaterra desde o tempo dos apóstolos. A Comunhão Anglicana é uma família de igrejas autônomas, inter-relacionadas e interdependentes, todas em comunhão com o Arcebispo de Cantuária. Embora a Igreja Anglicana esteja fundamentada solidamente na Bíblia, o Livro de Oração Comum é essencial a sua forma de cultuar. A Igreja Anglicana é também uma Igreja Sacramental, crê que Deus se manifesta em nossas vidas por meio de sacramentos. Assim, o jeito de ser anglicano tem três fases: a Bíblia, a Oração e os Sacramentos.

Uma das características das Igrejas Anglicanas é sua abertura para o novo, sem esquecer o passado. Para definir essa postura democrática e liberal, os ingleses usam a palavra comprehensiveness, que o teólogo anglicano brasileiro Jaci Correia Maraschin traduziu por inclusividade.

A Igreja Anglicana é tanto católica quanto reformada, tanto conversadora quanto liberal, tanto hierárquica quando democrática. Todos esses elementos se conjugam e se completam. Os anglicanos não desprezam o uso da razão e da investigação científica. Esta postural faz dos anglicanos uma igreja aberta ao diálogo com as demais denominações.

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IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL (IEAB)
DIOCESE ANGLICANA DO RIO DE JANEIRO (DARJ)
Os Anglicanos celebram a sua liturgia em terras brasileiras desde 1810, sendo a primeira igreja não-romana estabelecida no país. A igreja voltada especialmente para os brasileiros começou em 1890, com o trabalho de missionário americanos. Desde 1965, veio a autonomia administrativa, quando a igreja brasileira se transformou na 19a Província da Comunhão Anglicana, mantendo as características tradicionais do Cristianismo, com as três ordens (Diaconato, Presbiterado e Episcopado), os dois Sacramentos Maiores (Batismo e Eucaristia) e os Cinco Sacramentos menores (Confirmação, Confissão, Unção dos Enfermos, Matrimônio e Sagradas Ordens). Fundada em 1909, a Paróquia do Redentor é a igreja mãe da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, sendo hoje a sua Catedral.

Atualmente, a IEAB tem templos, missões e instituições educacionais e assistenciais em mais de 150 diferentes localidades do Brasil. Ao longo de sua história, a Igreja do Brasil acumulou uma relação de mais de 100 mil membros batizados e 45 mil confirmados.

Missão

  • Proclamar o Evangelho do Reino de Deus;
  • Ensinar, batizar e nutrir os fiéis;
  • Responder às necessidades humanas com amor;
  • Buscar a transformação das estruturas injustas da sociedade;
  • Lutar pela preservação e integridade da criação
Dom Francisco de Assis Silva, Bispo Primaz da IEAB
Dom Francisco de Assis Silva, Bispo Primaz da IEAB
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2016, Abertura de Concílio da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

(textos adaptados do website da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, do artigo “Apontamentos de História da IEAB”, de Oswaldo Kickhofel e do site da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro)

 

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Raízes históricas

O Cristianismo chegou às Ilhas Britânicas por volta do final do segundo e início do terceiro séculos da era cristã. Ali, se desenvolveu de maneira local e independente. No final do século VI, um grupo de 40 monges, chefiados por Santo Agostinho de Cantuária, chegou à grande ilha para cristianizar os ingleses, conhecidos na época como anglo-saxões. Resolvidas as tensões causadas pela chegada da missão romana, a igreja inglesa cresceu e se desenvolveu como um ramo integrante da igreja romana. Afirmar, portanto, como muitas enciclopédias e livros de história afirmam que a igreja inglesa foi fundada por um rei, não corresponde à verdade, pelo simples fato de que o controvertido monarca não podia fundar algo que já existia.

Henrique VIII apenas separou a igreja que lá existia da tutela de Roma, que passou a ser chamada de Igreja da Inglaterra. Com a colonização da América e a independência dos Estados Unidos, a Igreja da Inglaterra, que passou a ser conhecida como Igreja Anglicana, se estabeleceu como uma denominação livre do poder civil, criando dioceses, paróquias e instituições, tomando o nome de Igreja Episcopal. Uma dessas instituições foi o Seminário Teológico de Virgínia, de onde vieram os missionários que estabeleceram a Igreja Episcopal Anglicana no Brasil em 1890.  A IEAB faz parte da Comunhão Anglicana, uma família de igrejas nacionais em comunhão permanente e histórica com a Sé de Cantuária. A palavra anglicana, antes de significar inglês, representa a grande família cristã internacional.

Uma igreja ecumênica

O ecumenismo faz parte do modo de ser dos anglicanos. Eles oram e trabalham para que as demais igrejas busquem a unidade em amor e obediência a Deus como um só corpo pela ação e poder do Espírito Santo. Os anglicanos acreditam que o trabalho da igreja é pregar o evangelho da reconciliação para o universo inteiro e não só para a parte que se considera cristã. Deus em Cristo restaurou a natureza humana decaída naquilo que ela devia ser. Desse modo, quem vive em Cristo está livre do pecado. Uma nova esperança assegura a certeza do reino de Deus. A razão de ser da igreja é anunciar essa esperança.

Doutrinas básicas

O quadrilátero de Chicago-Lambeth, de 1888, define quatro princípios básicos que permeiam as igrejas da Comunhão Anglicana, que são:

(a) As Escrituras Sagradas do Velho e Novo Testamentos, “contendo tudo o que é necessário para a salvação”, como a regra e padrão de fé.

(b) O Credo dos Apóstolos, como símbolo batismal; e o Credo Niceno, como a declaração suficiente da fé cristã.

(c) Os dois sacramentos ordenados por Cristo: Batismo e Ceia do Senhor – ministrados com o uso infalível das palavras de Cristo, e dos elementos ordenados por Ele.
Obs.: Há outros sacramentos menores, não ordenados diretamente por Jesus, mas reconhecidos pela igreja como tendo caráter sacramental.  São eles: a Confirmação, a Penitência, as Ordens Ministeriais, o Matrimônio e a Unção dos Enfermos.

(d) O Episcopado Histórico, adaptado localmente nos métodos de administração às necessidades variadas das nações e povos chamados por Deus para unidade de Sua Igreja.

Variabilidade litúrgica

A reforma inglesa do século XVI havia produzido três partidos ou tendências na Igreja da Inglaterra: o Broad Church Party (igreja ampla), o High Church Party (igreja alta) e o Low Church Party (igreja baixa).

A igreja alta tinha fortes tendências tradicionalistas. Foi revigorada em 1833 pelo Movimento de Oxford. Os anglo-católicos ou ritualistas restauraram o uso de imagens, velas, crucifixo, incenso, água benta, invocação a Maria e aos santos, confissão auricular, monasticismo e celibato.

A igreja baixa primava pela simplicidade do cerimonial litúrgico.  Os Evangelicais foram os grandes responsáveis pelo reavivamento evangélico na Inglaterra e em outros países, com forte preocupação missionária.

A igreja ampla era, de início, um grupo minoritário, mas muito influente devido às suas posições moderadas.  Sempre foram o fiel da balança entre o ritualismo anglo-católico e a simplicidade evangelical.  Grande parte das igrejas, hoje em dia, encontra-se nessa ala: preservando certos rituais e vestes litúrgicas, porém, sem chegar ao requinte anglo-católico ou à informalidade evangélica.

As influências desses grupos ou partidos se estenderam também a outros países, principalmente os Estados Unidos. Os missionários que vieram ao Brasil pertenciam ao grupo evangelical.  Entretanto, a partir da segunda metade do século XX, vários elementos do anglo-catolicismo foram sendo gradativamente inseridos no contexto da Igreja Episcopal do Brasil.  Hoje, pode-se dizer que boa parte de nossas paróquias enquadra-se na igreja ampla, e o uso moderado de crucifixos, vestes litúrgicas, incenso, velas e demais paramentos é característica desta igreja.

Não existe, contudo, uma rigidez litúrgica, sendo sempre possível encontrar paróquias que tendam mais ao anglo-catolicismo ou ao anglo-evangelicalismo.

5 opiniões sobre “Anglicanismo

  • Prezados,
    gostaria de saber como funciona a questão do batismos. Eu fui batizada na igreja católica, qd pequena e desde entao frequentei algumas vezes a Igreja presbiteriana. Meu casamento foi com o pastor da Presbiteriana e conheci há alguns meses a Igreja Episcopal Carismática do Brasil em Recife, e tenho gostado mto. Só que não sei como que funciona essa questão do Batismo.

    Obrigada

  • A igreja anglicana no modo ” Igreja ampla ” tem a prática de invocação a Maria e os santos
    também ?

    1. Boa noite, Prezado Aron.
      A Igreja Anglicana afirma a intercessão genérica dos Santos pela humanidade, entretanto, não é um consenso teológico na Comunhão Anglicana a ideia de intercessão particular, ou seja, a de que ao dirigirmos uma oração a Virgem Maria – ou a um dos demais Santos – há plena certeza de sua ciência daquele pedido específico feito por um indivíduo. Dessa forma, os Ofícios Litúrgicos da igreja realizados dominicalmente seguem o que é consenso pleno entre todas as suas tendências internas: das orações serem dirigidas somente a Deus. Os Santos são lembrados e honrados no Anglicanismo, havendo no Livro de Oração Comum orações que resgatam seus exemplos e podem ser usadas nos cultos nas datas em que também são alusivas a eles (exemplos: “Anunciação” em 25 de março, “Visitação da Bem-aventurada Virgem Maria”, em 31 de maio e “Bem-aventurada Virgem Maria” no dia 15 de agosto). No caso de Maria também existem hinos sobre sua história, que é singular.
      Estamos à disposição caso queira mais informações. Abs

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